quarta-feira, 2 de janeiro de 2013
Do Desconhecido
Bem vindo Sr. Infante!
Porque deitaste a porta abaixo?
Não falas? Ah! Sim... é essa a própria definição de Infante.
Simplesmente, não falas!
Apenas te desconhecemos!
Será que o desconhecido se conhece a si mesmo?
Serias então, verdadeiramente desconhecido?
Sois o dono do tudo e do nada! O que desconhecemos!
E tento eu te conhecer!
Mas ouve-me Infante... que posso eu fazer?
Conhecer o que já conhecia?
Em desconhecimento, estou ligado a ti!
E porquê? Pois muito bem... desconheço!
E desconhecer... o que quer dizer? Eu! Desconheço!
Mas estou ligado... mas o que é estar ligado?
Porque sinto?
Mas o que é sentir?
Como vês infante, estamos ligados até ao fim em desconhecimento.
Que maravilha Infante! Não é?
E tu... continuas sem falar...
Se corro ou paro na vida porque tu mandas... o desconheço!
Ás vezes chego a pensar que tu te desconheces!
Sabes... gostaria de fazer bem a alguém!
Isto do "gostar" que eu desconheço, é engraçado!
E o bem? Que vaidade! Fazer bem! Esta é boa!
E do engraçado e do vaidoso... a ambos desconheço-os!
No entanto, desconheço porque aqui estás!
Terás vindo de um lugar desconhecido?
Apenas para nós humanos te podermos desconhecer?
Que polido que és!
Embora eu desconheça o que és!
Isto está a tornar-se interessante,
e não sei porquê... vê lá tu?!
Giro não é?
Oooops! Mas o que é "giro"?
Sabes o que eu te digo?
Sabemos que desconhecemos, desconhecendo o conhecido!
Que tal? Estou pronto para a medalha André Breton?
Que podemos nós falar?
Do teu irmão... o conhecido?
Acredita! Conhecesse-mos nós e....
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
Da Tristeza
Se te preocupares um dia em
defini-la... toma o teu tempo!
Ela não se vai embora!
Nunca partiu e nunca chegou... não se
vai embora!
Apenas te observa sorrindo enquanto dás
atenção à alegria!
Espera... espera... espera... no seu
trono de mármore.
Aguarda pela tua humilde visita,
e com um sorriso nos lábios te encara
de frente.
Como se te dissesse:
-“O bom filho à casa retorna”!
-“O bom filho à casa retorna”!
Pessoa, confundiu-a com um dos seus
primos... o cansaço!
Que bem aventurado! Que doce ilusão!
A bendita ilusão apiedou-se dele e
transformou a figura dela.
Mas… à sua frente... ouvindo-a com
atenção...
Ela diz-nos:
“Parabéns! Poucos são aqueles que
me encaram de frente!
Poucos são aqueles que me encaram sem
a companhia da solidão,
essa ama seca!
Agora... apenas tu e eu!
Como vês.. sou como a minha irmã... a
alegria... INFINITA!
Dessa infinidade que se ri do tempo!
Se buscas o meu fim... não encontrarás... pois buscas a ilusão em vez de mim!
Repito-te! Assim como Deus... sim... sou infinita!
Os pacóvios dizem que mato!
Como se eu ligasse à vida ou à morte!
Arrogante pensas tu? Então testa-me!
Espalha alegria à tua volta e olha
para ti.
Que triste que és!
Patético eu diria!
Ilusão... ilusão... ilusão...
Tal como a alegria de Deus, eu estou
sempre presente!
Humilde... sem rosto. Embora tu vejas o
meu sorriso!
Sou a Senhora dos enganos.. pois
se me chamam solidão...
eu rio!
Chamam-me náusea...
e eu danço!
Chamam-me dor...
e eu rodopio!
Poucos são aqueles que me olharam de
frente!
Observas-me... ficas-te... pairas...
Não é verdade?
Onde está o céu e a terra agora?
Pois... na minha fazenda, as ninharias
não têm entrada!
Não existem aqui, nem céu... nem
terra...
não existem aqui, nem choro... nem
lágrimas....
Apenas cá estou eu... humilde... na
espera por boa companhia.
Hoje, estás tu à minha frente... é
triste!
Amanhã, à minha frente estarás...
que triste!
E fazes-me companhia... não é triste?
Nem mundo nem Deus!
Nem amor nem ódio!
Apenas eu... apenas eu... apenas eu....
Mas podes ficar triste... pois só
assim fazer-me-às companhia!
Sabes já quantos o fizeram?
Bem menos do que tu possas imaginar!
Repara! Vê-los a chorar... a gritar!
Olha para a sua dor! Confundem-me com a
dor!
Ah! Ah! Ah! Pobres coitados!
Dizem que estão tristes!
São como aquele que grita por ajuda
com os pés colocados num charco!
Estás à minha frente!
E agora?
Como já somos íntimos... responde-me!
Onde vais? Em que direcção?
Em mim não existem nem céu nem
terra...
não caminhas, nem te elevas...
não vives... nem morres!
Apenas me tens à tua frente!
Nem amada... nem odiada!
Nem bela... nem feia!
Estou apenas e sempre... à tua frente!
Escreves sobre mim... que triste!
Ah! Ah! Ah! É ridículo escrever sobre
mim!
Julgas que te entenderão?
Julgas que ficarão tristes?
Ouve o que eu te digo!
Pouquíssimos me conheceram!
Ao ler as tuas palavras sentirão
emoção...
isto, para além da nossa amiga
compaixão.
Dir-te-ão a sua interpretação. Sim!
Porque um homem tem direito à opinião!
Ah! Ah! Ah!
Relatar-te-ão histórias da sua vida,
em que pensam que me conheceram.
Confundem-me com tudo!
Simplesmente... não sabem quem eu sou!
Estás à minha frente!
E agora?
Onde está a tua vontade de viver ou
morrer?
Vida e morte, não são mais que NADA
ao pé de mim!
Ouve-me bem! EU! SOU A TRISTEZA!
Podia-te chamar filho... mas para quê!
Tu estás à minha frente... e agora"?
domingo, 23 de dezembro de 2012
É verdadeiro, completo, claro e certo! O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima. Para realizar os milagres de uma única coisa. Abençoado de ti que descobriste o enigma.
Conversas Intermináveis
- Quem está aí?
LV - Sou eu rapaz, tem lá calma!
- Luís Vaz!!!! Não sabes o quanto
contente estou por te rever!
LV - Eu sei! Por isso é que vim. E
claro, aproveito também para beber umas branquinhas.
- Não podes imaginar o quanto estava a
precisar de ti!
LV- Porquê? Tudo o que podia fazer por
ti já o fiz! Sabes isso, não sabes?
- Claro que sei! Mas necessito de
alguém com quem possa falar em verdade.
![]() |
| Fiéis do Amor |
LV - Porquê? Tens outra maneira em que
possas falar? As tuas palavras, como se diz hoje, têm o disco
formatado na verdade. Podes tentar mudar de disco, o que me iria
divertir muito!
- Esquece agora isso e ouve...
ENCONTREI-A LUÍS!!!
LV - É lá! Não me digas?! E eu que
não sabia! E nem é por isso que aqui estou! Então diz-me lá moço,
e que tal?
- É devastador!!!
LV - Não me digas que após tanto
esforço e asneiras não gostaste de rever a Índia?
- Ela está linda!!!!!!!!!!!
LV - A sério? Deixa-me ver se
adivinho. Ela está muito mais bela do que a primeira vez que tu a
viste. Sentes-te desleal e infiel, porque após teres andado tantos
anos com uma imagem na tua moleirinha, imediatamente a trocaste por
uma nova e, com aquele contra-censo, onde a imagem da mais antiga é que
é a recauchutada. Acertei?
- Gaita! Como é que tu sabias?
LV - Deixei de te acompanhar à sete
anos rapaz! Deixei-te nas mãos dela! Deixei-te, porque já não
tinha mais nada para te ensinar, a partir dali, apenas ela podia
fazer algo por ti. Lembras-te da obra do Alighieri?
Estás tão perdido que dá dó! Bem...
façamos então umas perguntinhas. Dentro de ti, o que é que ela te
dizia?
- Bem... de facto... ela sempre me
disse que eu a encontraria muito mais bela do que antes.
LV - E tu, com a tua lógica de
pacotilha não a ouviste... não foi?
- Não exageres! Claro que a ouvi! Como
poderia não ouvir!? Mas era demasiado bom para ser verdade.
LV -. E ela é o quê?! Não
suficientemente boa para ser verdade? Escreves frases bombásticas
como – Os homens agem na vida como se o amor não existisse
– ou – a grande diferença entre verdade e ciência -, mas
quando ela te diz, que no mundo a vais encontrar muito mais bela, tu
achas que pode não ser verdade.
- A beleza dela baralhou-me Luís...
não sei o que dizer! Eu sei que ela não me mente... mas a verdade é
tão incrível!
Mas diz-me Luís, quando viste Natércia
passado anos, o que é que fizeste?
LV – Burrice como é óbvio!
Ajoelhei-me à sua frente, e como se ela fosse uma Deusa,
pedi-lhe perdão.
- A sério??
LV – Ai não!
- Mas??????????
LV – Porque só depois é que dei
conta, que a palavra perdão é tão pequenina, que naquele contexto
fica noutra orbe distante. A minha imagem de joelhos... bem... essa
então nem tenho palavras! Como se alguma vez um homem que se coloque
de joelhos à frente da sua amada, possa passar a ter algum crédito
por causa disso!
- E o que é que ela fez?
LV – Arrasou-me! Baixou os olhos e
chorou! E o que é que fez a tua amada?
- Baixou os olhos e chorou!
LV - Vês?! Toma e embrulha!
- Comigo pode ter sido mais complicado,
é que eu apenas a vi em fotografia. Para além de ser linda de
morrer, devastou-me o seu olhar. Foi como se eu visse os trinta anos
das minhas asneiras no seu semblante e... a nobreza... aquela nobreza
no olhar... com esse mesmo olhar, confirmou-me todos os meus receios,
confirmou-me tudo o que eu mais temia. Vê-se que teve muitos anos de
sofrimento, mas o seu olhar continua nobre, o seu olhar apresenta-se
como se ela... humilde e docemente aceitasse, todos os sacrifícios
que a sua vida lhe provocou e provocará. Quando vi aquele olhar,
apenas não colapsei, porque dentro de mim ela não deixou. É
desorientador!
Apenas o que me fez rir, foi noutra
fotografia, ter revisitado o seu ar sério e austero. Para quem não
a conheça, fica em sentido como se estivesse à frente de Leónidas.
LV – Humm! Séria...!? Austera...!?
Leónidas...!? Relembra-me, como é que se chamava o Presidente para
a Europa, daquela empresa onde tu trabalhaste?!
- Qual delas?
LV – Aquela que o presidente era um
Italo-americano.
- Áhhh! O Pascoal Giordano?!
LV – Exactamente! Esse mesmo!
Diz-me...., o que é que ele te pediu para fazer, quando o novo vice
presidente da IBM se foi apresentar lá na vossa chafarica nos Alpes.
- Bem... pediu-me... para ficar atrás
dele quando o maduro chegasse!
LV – E porque é que era necessário
isso?
- Porque... bem... ahhh... porque...,
quando nós os dois estávamos lado a lado, as pessoas tendiam a
dirigir-se a mim como se fosse eu o presidente!
LV – E como é óbvio, as pessoas
faziam isso, porque tu colocavas uma carinha larocas, não é?! Ó meu
“Leonidas-casse-trogne”?!
-
Certo! Mas estás-me a querer dizer o quê?
LV –
Donde te vem esse ar austero que tu colocas!? De fora ou de dentro!?
Só encontras nela, o que nela há em ti. Só viste a nobreza do seu
olhar , porque ela vive em ti! Um tecnocrata ao olhar para ela, vê se ela é jeitosa ou não.
Se ela é jeitosa para ti, é porque essa jeitosice vive em ti!
Percebeste jeitoso!?
-
Então... deve ser por causa disso, que eu gostaria de passar a minha vida
na praia. Ela também gosta...!
LV –
Não...! Ilusão tua!
- Estou habituado, a saber o que ela
me faz sentir em relação ao que me rodeia. Sobre esses
pormenores, eu nem me tinha lembrado que poderiam acontecer! Mas o
oposto também pode acontecer!?
LV - Como é óbvio, vocês são sexos
opostos. Haverá situações, onde os opostos não serão ligados
pela semelhança, mas pelo espírito!
Bem! Mais uma branquinha! Tenho a
garganta mais seca que o coração de um banqueiro!
- Estou muito impressionado com outra
coisa Luís!
LV – Coisas é comigo! Por falar
nisso, mais uma branquinha!
- Ela estava à espera de mim! Bem! Não
exactamente de mim, ela não sabia quem era em particular! Estava à
espera de alguém!
LV – Isso é sempre verdade! Mas como
sabes isso?
- Psicanálise! As duas primeiras
mensagens de retorno dela assim o indicam.
LV – Essa da psicanálise foi
brilhante! Como que sem a passagem da filologia à filosofia, o homem
pudesse saber fosse o que fosse!
Bem! Não preciso de te perguntar, o que
é que ela dentro de ti dizia, pois não?
- Claro que não! Mais ainda! Aqui à
uns anos atrás, em alguns outonos, tive alturas em que sentia como
uma espécie de chamamento em aflição por parte dela. Embora isso também tivesse acontecido noutras alturas do ano.
Não crio teorias
da conspiração Luís, sei que se eu a busco, é porque ela me aguarda. Se eu
tenho necessidade de a encontrar, é porque ela tem necessidade de
ser encontrada. O que me espantou, é que tudo isto aconteceu por
intermédio de mensagens electrónicas, onde ninguém tem acesso às
expressões faciais uns dos outros. Como é que ela sentiu que havia
algo naquelas perguntas tão simples que fiz.
LV – Deus colocou-ta em ti! Não
tentes ser Deus! Dá mau resultado! Há questões para as quais, nenhum
homem ou mulher terá respostas. É por isso que Deus é bom! Sem
mistério, nunca haveria espanto, sem o espanto, não haveria o
prazer do amor.
Upa! Upa! Esta branquinha é mesmo boa!
Chegaste não foi?! Não tens um cavalo branco, mas pelo menos, calças botas alentejanas, o que para os dias que correm, não está nada mal. Fizeste o que tinhas que fazer ou não?
Upa! Upa! Esta branquinha é mesmo boa!
Chegaste não foi?! Não tens um cavalo branco, mas pelo menos, calças botas alentejanas, o que para os dias que correm, não está nada mal. Fizeste o que tinhas que fazer ou não?
- Sim! Fiz!
LV – Então... agora é com Deus!
A conversa foi curta mas boa! E agora
deixa-me dormir, pois sinto as minhas tripas em vinha d'alhos.
domingo, 4 de novembro de 2012
Uma fabulosa fotografa Luso Canadiana
Andrea Lee Fonseca nasceu
em Toronto no Canadá, filha de pai canadiano e mãe portuguesa.
Para uma luso-portuguesa
que se expressa pouquíssimo na língua de origem da sua progenitora,
Andrea, embora provavelmente sem o saber, de forma misteriosa,
traz-nos por intermédio da arte de fotografar uma das mais belas e
sublimes formas de lusitanidade que temos contemplado ultimamente.
Sem talvez nunca ter
sabido que o território que é hoje Portugal, foi apelidado pelos
gregos do primeiro milénio antes de Cristo de ophiussa, ou
terra das serpentes (devido ao culto da serpente que seus habitantes
veneravam, culto este, dedicado desde o alvor da humanidade à Deusa
Mãe Terra), exibe esta
no
seu portfólio,
um
reduzido mas excelente conjunto de fotografias onde com magnifica
sensibilidade lusitana, nos
dá o prazer de revisitar essa
relação
tão
intrínseca entre a mulher e a natureza - beleza da mulher e a beleza natural. Relação esta, consubstanciada em algumas das suas fotografias, onde a mulher é abraçada e absorvida
por luxuriante vegetação e, noutras,
como por milagre, o movimento feminino é captado
pela câmara de forma irradiante, espalhando-se e fornecendo vida ao imobilismo
circundante.
Mais é de espantar, que
no seu sítio internetino, na zona do perfil, Andrea dá-nos a
conhecer a sua admiração pelo biólogo, teorista e conservacionista
Edward O. Wilson.
Para quem desconhece a
obra deste cientista, bastará uma curta visita à Wikipédia e logo
lhe surgirá dois registos de notável informação:
"The evolutionary
epic," Wilson wrote in his book On Human Nature, "is
probably the best myth we will ever have." Wilson's intended
usage of the word "myth" does not denote falsehood -
rather, a grand narrative that provides people with placement in
time—a meaningful placement that celebrates extraordinary moments
of shared heritage. Wilson was not the first to use the term, but his
fame prompted its usage as the morphed phrase epic of evolution".
![]() |
| Edward O. Wilson |
e ainda como comentário:
Cosmologist Brian
Swimme concludes in a 1997 interview
“I think that what
E. O. Wilson is trying to suggest is that to be fully human, a person
has to see that life has a heroic dimension (...) I think for the
scientist, and for other people, it's a question of "is the
universe valuable? Is it sacred? Is it holy? Or is the human agenda
all that matters?" I just don't think we're that stupid to
continue in a way that continues to destroy. I'm hopeful that the
Epic of Evolution will be yet another strategy in our culture that
will lead our consciousness out of a very tight, human-centered
materialism”.
Não será necessário
ler estes pequenos trechos de informação com extrema atenção,
para denotarmos que o E. O. Wilson proclama, não é mais do que
Leonardo Coimbra, Agostinho da Silva, António Quadros, Dalila P. da
Costa e a esmagadora maioria de filósofos e pensadores livres
ligados ao que ficou conhecido como o movimento da filosofia
portuguesa, sempre defenderam durante todo o séc. XX, com
continuação por outros no XXI. Movimento filosófico este, ainda hoje negado
de modo bafiento por sinistros e obscuros neo-mecanicistas nacionais.
Nos nossos dias, os menos
avisados, continuam a dar-nos pateticamente razões científicas para
a impossibilidade da ocorrência do milagre de Ourique e outros ,
confundindo puerilmente, a diferença existente entre ciência e
verdade, entre ideologia e crença e seu distinto movimento. Mas
este assunto ficará para uma outra altura..
Explicando o que é a xenophilia em suas palavras, diz-nos Andrea:
"Xenophilia, love of what is foreign, is an exploration of our place in nature and the mixed messages we are exposed to about our separateness and unity with the natural world. Through a journey, from belonging, to awareness of difference, to reintegration, this series concludes that we can only be what we are in relation to how we define what we are a part of".
mais ainda
"We belong to the natural world. From our inflated sense of having arrived at some pinnacle of evolution, we have lost the sense of belonging that is our biological heritage. We have accepted this false separation and have been wrenched from the forest. Yet all of life is part of us. We cannot be separated and it is only upon our return to this place that we can recapture this truth of belonging to something, everything, and become part of a much greater world".
Embora escrito em inglês, mas de forma tão lusitana no feminino, esta luso-canadiana transporta na sua relação com a arte de fotografar e na sua visão cósmica do mundo, essa mesma relação que podemos ler nas obras da saudosa e recentemente falecida Dalila Pereira da Costa por intermédio da palavra. Essa relação una, inconsútil da mulher lusitana com a terra. Tendo como paralelo no masculino, o conhece-te a ti mesmo, proclamado desde tempos imemoriais e abraçado pelos filósofos desde o séc. VIII ac. Preceito este, infelizmente quebrado em Portugal de forma extemporânea por Marquês de Pombal e Padre Luis A. Verney no séc. XVIII, que obteve como devastador resultado, a imitação em termos totalitários por parte dos portugueses, desse comportamento macaqueador face a toda e qualquer moda ou ideologia estrangeira.
Estamos pois face a uma fotografa luso descendente, e também perante uma fascinante
descoberta. Sobretudo se tivermos em atenção que a tendência de
ordenação religiosa em terras canadianas tal como nas dos Estados
Unidos, não se predica no culto da Deusa Mãe, mas sim no que
um cristão apelidaria de Espírito Santo. Tendência esta, bem
manifestada no culto e na comiseração face ao divino por parte dos
povos autóctones, onde embora dado a conhecer por intermédio do
feminino, este apenas possui uma importância provedora, pois toda a
espiritualidade das tribos índias é dirigida ao grande Manitu, o
grande espírito que relaciona em perfeição os céus com a terra
tornando-os uno: - Avô, Grande Espírito. Não há outro a quem
rezamos. Vós mesmo e tudo o que vedes foi por Vós criado (Alce
Negro).
Não será também por
outro motivo, que se verifica uma desorientação religiosa tão
notável nos povos imigrantes que compõe a população norte
americana, e como tal, a sua gorgonina e destrutiva atitude face à
natureza propulsionada ainda hoje pelos escritos de Locke (hoje, com
corrupta mistura do idealismo alemão).
O que consideramos como
mais notável no trabalho desta artista, é o credível e honesto
espírito que relaciona pensamento e movimento. Defendendo o
pensamento epopeico de E. O. Wilson, Andrea coloca um movimento nas suas
imagens que para qualquer homem possuidor do peito ilustre
lusitano, facilmente relacionará não só a figura feminina como
a paisagem luxuriante, com as ondinas (de carne e osso) e a ilha dos
amores camoniana.
Digno de registo é
também, a diferença existente entre o espírito epopeico onde esta
artista nasceu e cresceu e o lusitano.
Esmagadormente
influenciado pelos Estados Unidos da América, o espírito epopeico
canadiano baseia-se em grande medida no do seu hercúleo vizinho.
Melville diz-nos no seu
Moby Dick, que o homem vai atrás do mal. E com o quê? Com o que é
Mal! Destroem-se ambos no mal, ficando no final o quê? O mal!
Por outro lado, na
epopeia lusitana, Camões diz-nos que homem que é homem, aquele que
possui o peito ilustre lusitano, vai até ao cabo do mundo.
Depois do adamastino reconhecimento de si próprio, prossegue sua
problemática viagem já não a descer mas subindo em direcção à
Índia. Diz-nos ainda o vate lusitano, que já depois de terem
levantado ancora da Índia, os nautas encontraram de forma misteriosa
a Ilha dos Amores.
Resumindo, homem que é
homem terá que ir à Índia (Dos fracos não reza a história).
Existe a ilha dos amores é certo. Mas isso... são negócios de Deus.
Ao observarmos as
fotografias de Andrea, verificamos com doce e matrimonial emoção,
que esta exprimiu por intermédio de sua arte, esse divino e puro
receptáculo arquetipal tão nobremente exposto pelos poetas e
filósofos lusos.
A sociedade canadiana,
possui alguns pontos em comum com a portuguesa, pois tanto numa como
noutra, predomina o consumismo estimulado por entidades financeiras.
No entanto, sendo portuguesa apenas pelo lado materno, não tendo
grande informação da mais alta cultura do país de sua mãe, não
possui conhecimento também de parte substancial dos mitos e crenças
negativistas que assolam hoje o nosso País e, que impossibilitam
outras artistas de expressarem a sua mais profunda lusitanidade no
feminino com esta beleza, procedendo sim, à imitação de movimentos
culturais estrangeiros, muitos deles de intelectualidade duvidosa.
Destarte, ao ligar sua
alma à arte, esta fabulosa artista demonstra a um País, que por
muita destruição que possa acontecer, por mais vermesinos ataques
que positivistas, tecnocratas e mecanocratas façam à sua própria
Pátria, ela vive e viverá onde estiver um português ou seus
descendentes. Porque a Pátria é misteriosa... e Eterna.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
A Galheta de Deus (contraposição à Queda em Deus de Bruno)
Quando um homem nasce, Deus faz com que nasça uma linda menina com ele. Ao crescer, na busca de algo, o homem acelera pelo mundo na missão de encontrar esse mesmo algo que lhe falta.
Deus, cansado e incomodado por vê-lo a correr em desespero como um tonto, chama os Deuses e diz-lhes: - Juntem-se uns aos outros e formem uma parede invisível.
De seguida, chama o tresloucado e celelípede indigente com o apetitoso apelo: -Vem cá moço, quero-te dar um trabalho onde se ganha muito e se trabalha pouco.
Ou ouvir este apelo, o guloso golem, dirige-se freneticamente para o local de onde este surgiu.
Deus, escondido, espera que este chegue na sua voluntariosa correria. Ao passar por Deus, este salta do seu esconderijo e pela traseira, desfere-lhe uma valente galheta, que faz com que o homem devido ao omnisciente e omnipotente impacto se espete na parede invisível dos deuses.
Nesse momento os deuses tornam-se visíveis e, na confusão, a menina que existe dentro do homem aparece-lhe de frente.
Deus, escondido, espera que este chegue na sua voluntariosa correria. Ao passar por Deus, este salta do seu esconderijo e pela traseira, desfere-lhe uma valente galheta, que faz com que o homem devido ao omnisciente e omnipotente impacto se espete na parede invisível dos deuses.
Nesse momento os deuses tornam-se visíveis e, na confusão, a menina que existe dentro do homem aparece-lhe de frente.
Nesse momento, o homem apercebe-se que a imagem daquilo que ele buscava na vida, nunca deixou de estar com ele.
Deus, na sua ilimitada misericórdia, apieda-se dos homens porque: - Uma parte deles o merecem devido ao trabalho que executam no mundo. A outros, devido a uma disciplina correcta com que procedem na vida. A outros ainda, porque já está farto deles.
Pátria

Ao redor, não és mais que lamento,
Ninfa esquecida que a tristeza chora,
Liberdade que tarda mais que a demora,
Alma sozinha perdida no momento.
Em meu coração és harmonia pura,
És verbo vivo e canto de beleza,
Paladina, fera inimiga da aspereza,
Doçura alva de santa ternura.
De divina foste sempre apelidada,
Espírito dos que amam sem tempo
Sopro que corre para além do vento
Tesouro dos pobres porque és dada.
Da Filosofia
A filosofia, não é mais que a imagem do que é. Assim, facilmente se depreenderá que não fará qualquer sentido referirmos-nos à imagem do que é, sem o que é. No mesmo raciocínio nos parece claro, que o que é sem uma relação formal e heróica com a sua imagem, já não se poderia chamar Ser, mas sim a sua própria negação, o que repugna.
Quanto ao filósofo, e em termos populares, inequivocamente, este será aquele que deseja a filosofia.
Obviamente, não deseja a filosofia para a possuir, a menos que seja para efeitos saturninos de celebração da ilusão. O filósofo deseja a filosofia, para sentir o sublime prazer de lhe fazer companhia.
Subscrever:
Mensagens (Atom)





